Codinome amor

O amor é amplo, mas imutável.

O amor agrega sem perder sua identidade.

Em outro tempo o amor caminhou pelas ruas gritando impropérios “raça de víboras”, “hipócritas”, “filhos do diabo”, ofendeu-se quem só ouviu essas palavras duras, porém, verdadeiras.

Quem ousou caminhar com o amor entendeu que os impropérios eram uma delação, uma máscara que precisava cair e enquanto caminhava escutava “vinde a mim voz que estais cansados e oprimidos e eu voz aliviarei”, “não andeis ansiosos…observai as aves…Vosso Pai celeste as sustenta…não valeis mais vós que as aves?”, “…sem mim nada podeis fazer.”, “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas…terá a luz da vida.”!

Ao caminhar com o Amor entenderam que essa seria a estratégia, ele sempre estaria delatando uma semente ruidosa que veio do passado, ele sempre estaria tirando uma ou outra erva-daninha, mostrando as cicatrizes depois do bálsamo de cura.

Mostrou que era videira verdadeira e quem nele estivesse permaneceria.

Mostrou que cada estação seria um confronto, que a erva se secaria, que em algum momento perderia sua flor, mas que a sua palavra viva permaneceria regando com água da vida, gerando nova vida.

Não cabendo em corpo o amor procurou habitação, pagou ele mesmo a hipoteca, quem o quisesse hospedar era só deixar a porta aberta. Ele por si não sai, tem gente que despeja, mas se olhar bem…antes de olhar pro relógio e pegar um copo de café, ele tá lá querendo saber se hoje ele pode entrar sem data pra sair.

O amor anda passeando, gosta de se comunicar, fala por si, mas muitos falam por ele.

O amor não é relativo, pode ser penoso, duro, contudo, nunca pesado.

O amor não concorda com tudo, continua confrontando, grita muitas verdades, mas pisca o olho como quem flerta e abre os braços para afagar, ensinando sempre.

Ele te convidada para um café e discursa sobre os excessos, é bom discutir, confrontar e ser confrontado, no final, ele sempre vai perguntar: e aí, dividimos uma torta salgada e depois um doce? Depois de um salgado tem que ter um doce!

O amor sempre vai estar aí pisando no calo, sem deixar de amar, porque não pode negar-se a si mesmo.

Amor sempre prático, sempre eterno.

Aurélia Camargo
(pseudônimo)

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Espiritualidade

Uma muleta apóia, Deus me sustenta, um talismã pode dar sorte, Deus me torna bem aventurado. Mesmo que minha boca não fale o seu nome, eu o louvo, vivendo como parte de tudo que ele preenche. Mesmo que não faça um rito, sou devoto de sua beleza apreciando a criação. Se nisso o busco, encontro; pois mais que a forma, é o objeto. Se em tudo vejo Deus, em tudo o acharei, se em nada o vejo, todo esforço é vão.

Qualquer pessoa afogada pelo automatismo religioso e pelos ritos prontos, que deixou de olhar para as aves dos céus, para os lírios do campo e aprender com eles; que só se “encontra” com Deus nos cultos, ou só o escuta em sermões. Qualquer que repete: “a boca fala do que está cheio o coração!”, como se qualquer palavra fosse uma fala, e como se estar cheio significasse estar impregnado de conceitos. Qualquer um que pense e viva correndo para o alvo sem conhecer a “soberana vocação”, está gritando pelo “deus muleta”, pelo “deus talismã”; mas não conhece o Deus em que existimos, e do qual somos.

Texto: Álvaro Júnior

Instagram: @almaejanela

Reluzir

A claridade do seu olhar revela a mais pura alma
Tem gracejo de sabedoria nas suas doces repetições
Na punição, o aprendizado do que só te faz melhor
Buscas o meio termo – és tão completo queres acertar
Afaga o teu próximo – com palavra que aprendes na prática
Quisera nós termos o seu discernimento e a leveza da tua alma
Cintilam seus olhos claros
vento
suas pálpebras longas
Janela de alma escancarada
Tens amor Perdão Carinho Sensibilidade Compaixão
Permita Deus que tenha a ti por um longo espaço de tempo Permita Deus te ver reluzir tudo isso que tens de bom

Permita Deus ser, eu, um bastidor do seu espetáculo

Permita Deus, olhos cintilantes, ver-te clarear os campos.

(Aurélia Camargo)

Nota: Reluzir é um poema, se pode ser classificado assim, que eu fiz para um amor genuino que Deus me apresentou. Frijolito* é filho de uma grande amiga que me ensinou e me ensina muito sobre pluralidades e improbabilidades. Diagnosticado com autismo ele abriu meu universo, me inquietou e eu nunca mais parei, gerou em mim uma empatia que me levou até a estudar sobre o tema. Escrevi isso pouco antes de conhece-lo bem, já apaixonara, ontem ele começou uma nova jornada. Uma dessas de “…clarear os campos.” Frijolito vai se batizar e ele que me ensina tanto sobre o amor de Deus vai se entragar a Ele mais profundamente. Não se engane, Deus tem seus caminhos e sua linguagem é única, porém, não engessada. O que faz brotar água no deserto, faz da estéril mãe de filhos se revela a quem quer – e para quem quer conhecê-lo, marca encontros e usa mentes que a ciência não entende para louvor e glória dEle.

*nome fictício

It’s about me…(clichê)

Por que a gente começa com um clichê? Porque eu preciso me apresentar, ué!

Recortes de Aurélia começou no Tumblr, morreu, e por necessidade da pessoa ressuscitou agora – por necessidade também. Eu sou viciada em palvras, letras me “pegam” sem dó nem piedade.

Informações pessoais relevantes:

– Bióloga; Professora por chamamento; Baiana; Cristã (que rótulo, mas deixa quieto); Bebedora oficial de chá e café; Mestranda na Espanha; Dotada de uma mente acelerada com ascendente em bagunça.

Por quê recortes?

Acho que vida boa mesmo é quando você vai se juntando e aperfeiçoando, sabe aquela colcha de retalhos? Tem um pano por baixo que é a sua base, é quem você é. Por cima vem seus retalhos, seus recortes que são os lugares, pessoas, coisas… que te montam. O resultado é uma boa bagunça organizada e viva.

Quem é Aurélia

Aurélia é a personagem do livro Senhora, de José de Alencar. Por favor, se não leu, leia. Aurélia é aquela fortaleza mansa, de atitudes sentimentais. Desde que a descobri – lá nas aulas de literatura pro vestibular, me enxerguei. Nossa…me vi. Como quem é mestre na escrita (sqn) adotei como pseudônimo.

Pra concluir…(eu tenho mania disso). Esse espaço é terapêutico, talvez algum amigo meu leia, talvez ninguém.

Eu só quero me inundar em letras mesmo…compilar meu mundo. E falar de Jesus, que me amou além das palavras.